Ricardo Goulart

Divulgação e comentários sobre assuntos diversos que afetam nossa vida em sociedade

24

de
julho

PROTÓGENES - O MÁRTIR DE SATIAGRAHA

Passado o primeiro impacto da confirmação dos fatos que sempre soubemos, mas nunca antes na história deste país foi jogado em nossa cara com tanta clareza através da Operação Satiagraha, algumas considerações precisam ser feitas:
1) Tal é o volume e a gravidade das provas obtidas nas diligências e gravações, que foi necessário o afastamento dos delegados da PF que participaram das operações de busca e apreensão, para que as investigações possam ser manipuladas com a finalidade de evitar a exposição da "célula-mater" da corrupção brasileira;
2) Conclui-se, portanto, que uma imensa quantidade de provas deverá ser destruída pelos investigados / atingidos, que hoje constituem a cúpula dos 3 Poderes da República;
3) O envolvimento do Poder Executivo é tão profundo e intenso, que as investigações atingiram de imediato e em cheio o Gabinete da Presidência da República;
4) O envolvimento do Poder Judiciário foi demonstrado não no varejo operacional dos juízes de primeira instância, mas na Alta Corte do País, cujas decisões estão acima de quaisquer outras, e definitivas. Gravações de conversas telefônicas já publicadas atestam isso, e ministros estão sob a suspeita do favorecimento dirigido, para não falar em situações mais embaraçosas;
5) O envolvimento do Congresso Nacional foi sugerido pela ameaça do Banqueiro Central da Corrupção Daniel Dantas, de publicar a lista de Deputados e Senadores que receberam dinheiro para votar favoravelmente os temas de interesse da quadrilha, sem falar no caixa 2 de campanhas políticas;
6) O envolvimento do 4º poder, a mídia, foi ventilado nas investigações, citando conhecidos veículos de comunicação que receberam dinheiro para omitir nomes dos membros da quadrilha, em qualquer tipo de matéria jornalística;
Enfim, está na vitrine do cenário nacional o Brasil do “faz-de-conta”. Leis, impostos e justiça são instituições que funcionam para o povo, mas não funcionam para que possa pagar regimes diferenciados de tratamento por parte do Poder Público, em especial na alta esfera. Tal condição cria, mesmo que extra-oficialmente, um regime de castas sociais no Brasil, com direitos e obrigações diferenciados e ditados pela capacidade de compra de “serviços públicos” de melhor qualidade por parte do cidadão.
Não é mais a qualidade e a gravidade do crime cometido é que vai determinar as condições de sua detenção, mas sim o porte do seu patrimônio. Ministros e juízes da alta corte apressam-se em conceder condições diferenciadas ao detido.
Ao cidadão com algum esclarecimento e cultura, resta o questionamento de tudo isso que está ocorrendo diante dos olhos aparvalhados de todos. Estado de Direito, Democracia e República foram transformados por esses facínoras em mera literatura. Quando a alta cúpula do Poder Constituído aceita transformar-se em uma “escolta de seguranças” para falsos banqueiros, que de fato são criminosos internacionais, o foco dessas autoridades está na perpetuação no poder e na manutenção dos currais eleitorais, em detrimento das questões nacionais.
Em tom mais ameno, seria o caso, até, de se constituir ação civil pública contra o Estado Brasileiro, alegando infringência ao Código de Defesa do Consumidor (cidadão) na maioria dos seus Artigos, incisos e parágrafos. Reforma tributária, reforma política, reforma do Código Penal, desburocratização administrativa, entre tantas outras, não passam de promessas não cumpridas ao longo dos governos e de décadas.
A crise institucional brasileira é tão grave que, mesmo pagando uma carga tributária de mais de 40%, corremos o risco de morrer de fome, podemos morrer por falta de saúde pública, ou de uma depressão resultante de longo período de desemprego, mas se escaparmos dessas, podemos ser alvejados por um policial comum, um policial miliciano e até mesmo por um assaltante drogado, e, finalmente por um traficante. Mas não se atreva a deixar de pagar o IPTU, o IPVA, o IR, a taxa do lixo, a taxa do bombeiro, o INSS, o IOF, o COFINS, o ICMS, o ISS, as centenas de taxas de serviço, o pedágio, as taxas bancárias escorchantes, o estacionamento rotativo, e até a “segurança” imposta pela milícia.

Mas caso o cidadão precise cometer uns crimezinhos, mas tenha conseguido juntar uma boa poupança em um paraíso fiscal, mesmo que o dinheiro seja de origem questionável, o que não é nem um pouco relevante por estas bandas, ele terá direito, de cara, a habeas-corpus e foro privilegiado. Não será julgado por juiz de primeira instância e não poderá sofrer constrangimento ou humilhação imposta pela PF, no caso de ter que relatar sua “inocência” em possível depoimento no qual a LEI lhe garante o silêncio -“todo cidadão está desobrigado de produzir provas contra si mesmo”, isto é, o aparelho policial do Estado deve obter essas provas através de investigação. Mas aí eu pergunto: se a PF foi afastada do caso, qual aparelho policial? E qual Estado? Esses que recebem os “presentinhos” dos criminosos? Ainda assim, passados 5 anos mais ou menos, se o processo conseguir andar, ele vai parar definitivamente em Brasília, na mesma gaveta de todos os envolvidos no mensalão.

A solução de tudo isso passa por algo que o povo brasileiro infelizmente não possui: ATITUDE !

16

de
julho

REPÚDIO

SE OS HOMENS QUE FORAM DESIGNADOS PARA A GUARDA DOS INSTITUTOS PROTETORES DOS LEGÍTIMOS INTERESSES DA SOCIEDADE E DOS PRINCÍPIOS DEMOCRÁTICOS ESTIVEREM ABANDONANDO SEUS POSTOS PARA  COMPACTUAR COM AS VONTADES EXCLUDENTES E PERVERSAS DO PODER DO CAPITAL, A DEMOCRACIA  PASSA A CORRER SÉRIO RISCO.

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