27
de
maio
DILMA E A DEMOCRACIA
Conforme foi publicado pelo Senador Arthur Virgílio em vários jornais do País, sob o título Dilma e Democracia, versa a matéria que em se confirmando o ditado popular de que a mentira tem perna curta, menos de 24 horas depois de a ministra Dilma Rousseff ter declarado, no Senado, não existir nenhum dossiê, mas apenas "banco de dados", comprovou-se a sua existência e se revelou o nome do funcionário que o "vazou".
As matérias publicadas trataram mais de outro aspecto do depoimento da ministra, aquele em que ela, a seu ver, foi até mais feliz. Foi quando disse ter mentido aos ignóbeis torturadores, à época da ditadura, para salvar companheiros de luta armada. A ministra emocionou-se "e falou do seu passado de inegável bravura pessoal e ousadia política".
Mas sua luta não foi pela redemocratização. O movimento estudantil, que lutava contra a ditadura, a certa altura se dividiu. Uns, como ela, optaram pela luta armada, opção fadada ao insucesso, pois iriam enfrentar as Forças Armadas; outros preferiram a luta mais paciente, procurando mobilizar a sociedade. Aproveitaram as poucas brechas existentes no regime: MDB, OAB, CNBB e setores da imprensa. Lançaram bandeiras-de-luta factíveis como anistia, constituinte, eleições diretas, até culminar com a eleição de Tancredo Neves e José Sarney e a transição para a Democracia.
Graças a essa evolução dos fatos, Dilma é, hoje, Chefe da Casa Civil. Então, ela deve o exercício desse cargo muito mais a homens como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e tantos outros que travaram uma luta indireta e estratégica - nem por isso destituída de riscos - do que a democracia estaria a dever à luta armada preconizada por ela e seus companheiros. Aliás, é preciso que se diga que enquanto muitos arquitetavam a volta ao regime democrático, alguns outros, entre eles Dilma - sonhadores, sem ter disso plena consciência - queriam substituir uma ditadura (de direita) por outra (de esquerda).

