22
de
abril
AMAZÔNIA ORIENTAL: FRONTEIRA VULNERÁVEL
Dos 25 mil homens de que o Exército dispõe para defender a Amazônia de ameaças que vão do tráfico de drogas à cobiça internacional pelas riquezas naturais, 240 vigiam mais de 2 mil quilômetros de fronteira com as Guianas e o Suriname, na chamada Amazônia oriental. Destes, um contingente de 17 soldados tem a missão de proteger uma faixa de 1.385 quilômetros de fronteira seca no extremo norte do Pará. Se distribuídos nesse território, caberia a cada homem vigiar 12.150 quilômetros quadrados.
A região é vista como o ponto fraco do sistema brasileiro de defesa e preocupa o chefe do Comando Militar da Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira. "O contingente é muito pequeno. A distância entre dois pelotões passa de 400 quilômetros sem ligação por terra."
O general Heleno tem posições firmes sobre a questão da vigilância nas fronteiras, e considera uma ameaça à soberania nacional a reserva contínua de 1,7 milhão de hectares da Raposa Serra do Sol, em Roraima, na região de fronteira, e chamou de "caótica" e "lamentável" a política indígena brasileira.
Ao analisarmos o assunto com serenidade isenta das sequelas do Regime Militar, podemos constatar que o general tem razão em suas críticas. Trata-se de afronta à Soberania Nacional o fato de "caciques" indígenas brasileiros exercendo comando e liderança em território nacional, demarcado como "reserva indígena", cujos limites constituem fronteira com outras nações. Ao permitir tal condição, um Governo contrapõe-se às necessidades e prerrogativas do Estado Brasileiro. O general identifica e enumera todas as ameaças possíveis advindas de tal decisão, e, ao mesmo tempo, demonstra a precariedade e a fragilidade das políticas do Governo Brasileiro no que tange a segurança nacional, a soberania do Estado Brasileiro, a política indigenista e a falta de vontade política de promover o adequado aparelhamento das Forças Armadas.
Enquanto estamos sendo massacrados por uma carga tributária desleal, o País é saqueado em suas riquezas que estão saindo por fronteiras desprotegidas. Embora tenha sido calado pela autoridade a quem responde, o general tornou pública a delicada situação em que se encontra a Amazônia brasileira. Não há crítica ao índio brasileiro, e sim à maneira como ele vem sendo usado para escamotear um verdadeiro saque às riquezas da Amazônia. E tudo sob a tutela de um Governo que propala uma política indigenista apenas para constar em portfolio para ser entregue a organismos internacionais.

